ÓLEO DE CASTANHA DO PARÁ (Bertholletia excelsa)

USOS E BENEFÍCIOS:

O óleo de castanha do Pará, também conhecida como castanha do Brasil  (Bertholletia excelsa), é altamente nutritivo, contendo 75% de ácidos graxos insaturados compostos principalmente pelo palmítico, o oleico (ômega 9) e o linoleico (ômega 6) além de possuir fito esteróis, sitosterol e vitaminas lipossolúveis A e E. É possível obter um óleo extra virgem pela primeira prensagem que pode substituir o azeite pelo seu sabor suave e agradável. A recomendação de consumo é de 1 a 2 colheres de sopa por dia.

A oleaginosa contém ainda uma considerável quantidade de proteínas e dois minerais muito importantes: o zinco, que afasta o risco de infecções oportunistas, além de atuar no crescimento e na cicatrização, e o selênio, que fortalece o sistema imunológico,  equilibra a tireoide e previne tumores. Sem falar em outra riqueza, a vitamina E, que é um poderoso antioxidante.

As proteínas presentes são muito ricas em aminoácidos sulfurados como cisteína (8%) e metionina (18%) e a presença deste último aumenta a absorção de selênio e outros minerais.

O Óleo de Castanha do Pará é ótimo para tratar cabelos secos e danificados. Ele também ajuda a fortalecer os cabelos frágeis, além de acabar com a queda capilar e acelerar o crescimento do fio. Outro destaque desse óleo é que ele ajuda a intensificar a cor dos cabelos pretos, os deixando mais bonitos e radiantes. O óleo também possui cisteína, um aminoácido que alisa o cabelo, ou seja, usando o Óleo de Castanha do Pará é possível realizar um alisamento natural mais acelerado.

Outro benefício do óleo de castanha do Pará é a sua capacidade de reduzir rugas e outros sinais de envelhecimento. Estrias também podem ser evitadas com o uso frequente do óleo.

O óleo de castanha do Pará é prensado a frio a partir da tradicional castanha brasileira, o que permite que seu aroma característico e todos os seus nutrientes para suplementar a pele sejam preservados.

É um emoliente excepcional que pode ser aplicado em todas as áreas do corpo para promover firmeza e elasticidade com eficácia. Sua absorção é rápida, o que o torna muito recomendado na realização de massagens corporais e banhos terapêuticos, além do seu possível uso como carreador para óleos essenciais.

A presença de aminoácidos em sua composição faz com que este óleo seja um dos mais recomendados na reconstrução da fibra capilar. Pode ser aplicado puro ou em misturas com outros óleos para umectação.

ESPECIFICAÇÕES:

NOME DO PRODUTO: Óleo de castanha do Pará

INCI: Bertholletia excelsa oil

NOME CIENTÍFICO: Bertholletia excelsa

PAÍS DE ORIGEM: Brasil

CÓDIGO DO PRODUTO: G011 – 5L / G012 – 10 L

MÉTODO DE FABRICAÇÃO: prensado a frio

NÚMERO DO CAS: CAS # 356065-50-4

NÚMERO EINCS: 310-127-6

CÓDIGO DE TARIFAS ADUANEIRAS: NCM 1515 90 40

TAMANHOS DA EMBALAGEM: 5L – 10L

EMBALAGEM SECUNDÁRIA: caixa de papelão com 2 x 5 L ou 1 x 10 L

ARMAZENAGEM: manter a embalagem bem fechada, armazenada em local fresco, ventilado e protegido da luz.

PRAZO DE VALIDADE: em condições normais de armazenamento, 24 meses após a fabricação.

ÓLEO DE CASTANHA DO PARÁ – ESPECIFICAÇÕES
CARACTERÍSTICAS UNID VALORES
Aparência (25 oC) líquido
Cor vermelho
Odor característico
Índice de acidez mg NaOH/g 4,0 – 4,8
Índice de peróxido meq O2/kg < 10,0
Índice de iodo g I2/kg 50 – 75
Índice de saponificação mgKOH/g 180 – 200
Índice insaponificável % 3 – 4
Densidade  25 oC g/ml 0,9261
Índice de refração (40 oC)   1,465
Ponto de fusão oC 25 – 28
ÁCIDOS GRAXOS
Ácido palmítico (C16:0) % Peso 16 – 20
Ácido palmitoleico (C16:1) % Peso 0,5 – 1,2
Ácido esteárico (C18:0) % Peso 9,0 – 13
Ácido oleico (C18:1 – Ômega 9) % Peso 36 – 45
Ácido linoleico (C18:2 – Ômega 6) % Peso 33 – 38
Outros % Peso 4,0 – 6,0
Saturados % 25
Insaturados % 75

DESCRIÇÃO BOTÂNICA:

A Bertholletia excelsa é uma grande árvore, chegando a medir entre 30 e 50 metros de altura e 1 ou 2 metros de diâmetro no tronco; está entre as maiores árvores da Amazônia. Há registros de indivíduos com mais de 50 metros de altura e diâmetro maior que 5 metros, no Pará.[10] Pode viver mais de 500 anos, e, de acordo com algumas autoridades frequentemente chega a viver 1.000 [11] ou 1.600 anos.[10]

A árvore é caducifólia; suas folhas, que medem 20 a 35 cm de comprimento e 10 a 15 cm de largura, caem na estação seca.

Suas flores são pequenas, de uma coloração verde-esbranquiçada, crescem em panículas de 5  a 10 cm de comprimento; cada flor tem um cálice caducifólio dividido em duas partes, com seis pétalas desiguais e diversos estames reunidos numa massa ampla em forma de capuz.

Floresce na passagem da estação seca para a chuvosa, o que no leste da Bacia Amazônica ocorre de setembro a fevereiro, com pico de outubro a dezembro. Perto de julho suas folhas caem; algumas árvores ficam completamente sem folhas na estação seca. As flores nascem em grande número, e duram apenas um dia. Os frutos demoram de 12 a 15 meses para amadurecer, e caem principalmente em janeiro e fevereiro. As sementes, quando não tratadas, demoram de 12 a 18 meses para germinar, devido a sua casca espessa.[12]

A Bertholletia excelsa produz fruto exclusivamente em matas virgens, já que florestas “não virgens” quase sempre carecem de orquídeas, que são, indiretamente, responsáveis pela polinização das suas flores. A Bertholletia excelsa tem sido colhida em plantações (na Malásia e em Gana), porém a sua produção é baixa e, atualmente, não são viáveis economicamente [13][14]

As flores amarelas da Bertholletia excelsa só podem ser polinizadas por um inseto suficientemente forte para levantar o “capuz” da flor e que tenha uma língua comprida o bastante para passar pela complexa espiral da flor, como é o caso das abelhas dos gêneros Bombus, Centris, Epicharis, Eulaema e Xylocopa. As orquídeas produzem um odor que atrai pequenas abelhas-da-orquídea (espécie euglossa, de língua muito comprida), já que as abelhas-macho desta espécie precisam desse odor para atrair as fêmeas. A grande abelha-da-orquídea fêmea poliniza a Bertholletia excelsa. Sem a orquídea, as abelhas não acalasariam e  as flores não seriam polinizadas.

Se tanto as orquídeas como as abelhas estiverem presentes, o fruto leva 14 meses para amadurecer após a polinização das flores. O fruto em si é uma grande cápsula de 10 a 15 centímetros de diâmetro que se assemelha ao endocarpo do coco no tamanho e pesa até dois quilogramas. Possui uma casca dura, semelhante à madeira, com uma espessura de 8 a 12 milímetros, e dentro estão de 8 a 24 sementes com cerca de cinco centímetros de comprimento dispostas como os gomos de uma laranja; não é, portanto, uma castanha no sentido biológico da palavra.

A cápsula contém um pequeno buraco em uma das pontas que permite a grandes roedores como a cutia e, com menos frequência, os esquilos, roerem até a abrirem. Eles comem, então, algumas das castanhas que encontram ali dentro e enterram as outras para uso posterior; algumas destas que foram enterradas acabam por germinar e produzem novas Bertholletia excelsa.

A maioria das sementes são “plantadas” pelas cutias em lugares escuros, e as jovens árvores acabam esperando por anos, em estado de hibernação, até que alguma árvore caia e a luz do sol possa alcançá-las. Micos já foram vistos abrindo os frutos da Bertholletia excelsa utilizando-se de uma pedra como uma bigorna.

Vive preferencialmente nas florestas de terra firme, e cresce apenas onde a estação seca é de 3 a 5 meses. A densidade da espécie varia muito ao longo de toda a Amazônia, indo de 26 árvores reprodutivas por hectare a apenas um indivíduo em 100 hectares. Cogita-se que alguns grupos de árvores devam sua existência a indígenas pré-colombianos.

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
                       
       PERÍODO DE COLHEITA        

REFERÊNCIAS:

Ampe, C. et al. “A sequência de aminoácidos das proteínas 2S ricas em enxofre de sementes de castanha do Brasil (Bertholletia excelsa HBK).” EUR. J. Biochem, 159 (3): pp. 597-604, 15 de setembro de 1986.

Cavalcante, PB: Frutas Comestíveis da Amazônia, 6a Ed, Edições Cejup – Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém, 1996.

Chang, JC, et al. “Teor de selênio nas castanhas do Brasil de duas localizações geográficas no Brasil.” Chemosphere; 30 (4): pp. 801-2, Fevereiro de 1995.

Chunhieng, T. et al.: “Estudo Detalhado de Micro compostos de Óleo de Castanha do Brasil (Bertholletia excelsa): Fosfolipídios, Tocoferóis e Esteróis”; J. Braz. Chem. Soc. Vol. 19, nº 7, 1374-1380, 2008. 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-50532008000700021.

Chunhieng, T. et. al.: “Estudo da distribuição de selênio nas frações proteicas da castanha do Brasil, Bertholletia excels”; J Agric Food Chem. 52 (13): 4318-22, 2004.
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15212486.

Morais, LR: Banco de Dados Sobre Espécies Oleaginosas da Amazônia, não publicado.

Shanley, P. et. al.: Frutíferas e plantas úteis na vida amazônica, CIFOR, IMAZON, Editora Supercores, Belém, p. 300, 2005.

Jardim Botânico de Nova York: as páginas Lecythidaceae.

Lista Vermelha da IUCN: Bertholletia excelsa.

Silvertown, Jonathan. “Sustentabilidade em uma casca de noz (resumo)”, Departamento de Ciências Biológicas, The Open University.

Taitson, Bruno. Colhendo nozes, melhorando vidas no Brasil, WWF, 18 de janeiro de 2007.

  1. Mori, Scott. A Indústria da Castanha do Pará: Passado, Presente e Futuro, The New York Botanical Garden.

Collinson, Chris. Viabilidade econômica do comércio de castanha do Brasil no Peru, Universidade de Greenwich.

Lorenzi, Harri e Matos, Francisco José de Abreu. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas cultivadas, Nova Odessa, SP: Insituto Plantarum, 2002. ISBN 85-86174-18-6.

Plantações de castanha do Brasil.