ÓLEO DE AÇAÍ (Euterpe oleracea)

USOS E BENEFÍCIOS:

O Óleo de Açaí é um presente da natureza para nossa saúde, podendo ser consumido como alimento ou usado na formulação de cosméticos – principalmente aqueles voltados à proteção da pele. Por sua impressionante capacidade de hidratação, seu uso é recomendável para hidratar e reparar peles secas e ajudar no tratamento de psoríase e acne. Isso se deve à sua composição: além dos óleos oleico, linoleico e palmitoleico, o óleo de açaí também possui os fitoesteróis beta-Sitosterol, estigmasterol, e campesterol, muito utilizados pela indústria cosmética como preventivos do envelhecimento cutâneo e na redução de processos inflamatórios. Além dessas substâncias, uma parte significativa de compostos fenólicos presentes no açaí passa para o óleo; substâncias como o ácido vanílico, flavonoides e a proantocianidina, que tornam este óleo especial.

No tratamento de cabelos ressecados ou frisados o óleo de açaí é uma excelente opção de hidratação para ser aplicado após a lavagem. Apenas algumas gotas devem ser postas na palma da mão para massagear o cabelo, porém não no couro cabeludo.

O óleo de açaí prensado a frio pode ser usado na alimentação face ao elevado teor de ácido oleico e linoleico semelhante ao azeite de oliva. Pesquisas têm confirmado o efeito anticarcinogênico do ácido vacênico devido à sua conversão em cis-9, trans-11 CLA (ácido linoleico conjugado) via delta-9 dessaturase. (POLLAR et al, 1980) (HA et al (1987). O óleo de açaí tem aproximadamente 3,0 a 4,5% de ácido vacênico. (V. a composição abaixo.)

ESPECIFICAÇÕES:

NOME DO PRODUTO: Óleo de açaí

INCI: Euterpe Oleracea Fruit Oil

NOME CIENTÍFICO: Euterpe oleracea

PAÍS DE ORIGEM: Brasil

CÓDIGO DO PRODUTO: G003 / 5.0L – G004 / 10L

MÉTODO DE FABRICAÇÃO: prensado a frio

NÚMERO DO CAS: / 861902-11-6

NÚMERO EINCS: não aplicável

NCM: 1515.90.40

TAMANHOS DA EMBALAGEM: 5,0 L – 10 ,0 L

EMBALAGEM SECUNDÁRIA: caixa de papelão com 2 x 5 kg ou 1 x 10 kg

ARMAZENAGEM: manter a embalagem bem fechada, armazenada em local fresco, ventilado e protegido da luz.

PRAZO DE VALIDADE: em condições normais de armazenamento, 24 meses após a fabricação.

ÓLEO DE AÇAÍ – ESPECIFICAÇÕES
CARACTERÍSTICAS UNID VALORES
Aparência (25 oC) líquido
Cor roxo / esverdeado
Odor característico
Índice de acidez % Peso < 15,0
Índice de peróxido 10 meq 02/kg < 10,0
Índice de iodo g I2/kg 60 – 90
Índice de saponificação mgKOH/g 180 – 200
Índice insaponificável % < 2
Densidade  25 oC g/ml 0,9688 – 0,9880
Índice de refração (40 oC) 1,46 – 1,47
Ponto de fusão oC 4

ÁCIDOS GRAXOS

Ácido palmítico (C16:0) % Peso 17 – 28
Ácido palmitoleico (C16:1) % Peso 2,0 – 6,0
Ácido esteárico (C18:0) % Peso 1,5 – 6,0
Ácido oleico (C18:1 – ômega 9) % Peso 40,0 – 60,0
Ácido vacênico (C18:1 Cis 11) % Peso 3,0 – 4,5
Ácido linoleico (C18:2 – ômega 6) % Peso 10,0 – 22,0
Saturados % 28
Insaturados % 72

DESCRIÇÃO BOTÂNICA:

O açaí, Euterpe oleracea C. Martius, se encontra em toda a bacia Amazônica sendo particularmente abundante na sua parte oriental. É uma das palmeiras mais típicas do Pará, dominando a paisagem onde aparece, às vezes em formações quase puras, preferindo áreas alagadas e terras úmidas com alta regeneração natural.

Existem duas principais variedades, a E. oleracea, que ocorre com maior frequência no estuário do rio Amazonas, e a E. precatória, comum nas matas da Amazônia Ocidental (Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima). A E. oleracea apresenta abundante perfilhação, que sem manejo pode chegar até 20 estirpes, formando o que se chama “touceira”. Esse fato a torna indiscutivelmente uma espécie ideal para a exploração racional e permanente do palmito e dos frutos. Deste modo, a remoção do palmito pode ser feita cortando apenas alguns estipes selecionados, ano após ano, sem matar aquele indivíduo que pode perfilhar novamente. Essa retirada de estipes mais antigas corresponde a um manejo bem adequado a essa palmeira. Por outro lado, a variedade E. precatória cresce isolada sem formar perfilhações/touceiras, o que inibe a exploração concomitante do palmito e do fruto.

ECOLOGIA:

A palmeira do açaí ocorre particularmente nos terrenos de várzea baixa, a floresta é do tipo oligárquica, tendo como espécie dominante o açaizeiro (Prance, 1994). O caráter oligárquico dessa floresta é determinado pelo regime de inundações (Lima, 1956), pois reduzido número de espécies arbóreas dispõem de mecanismos adaptativos para sobreviverem em solos com baixa tensão de oxigênio (Anderson, 1986). No caso do açaizeiro, esses mecanismos estão representados por adaptações morfológicas e anatômicas, tais como: raízes que emergem do estipe acima da superfície do solo, presença de lenticelas (Anderson, 1986) e de aerênquimas nas raízes (Menezes Neto, 1994). Além disso, a espécie dispõe de estratégias fisiológicas que permitem manter as sementes viáveis e as plântulas vivas, mesmo em condição de anoxia total, por até 20 e 16 dias, respectivamente, de tal forma que quando o suprimento de oxigênio se torna adequado, as sementes germinam e as plântulas retomam seu crescimento (Menezes Neto, 1994).

Em função de estratégias adaptativas, a abertura dos estômatos do açaizeiro depende mais da radiação solar que do déficit de pressão de vapor, e inundações temporárias não afetam a absorção de água quando as raízes estão submetidas a condições de hipóxia (Carvalho et al., 1998a). O fato das sementes não germinarem e as plântulas paralisarem ou reduzirem o crescimento em ambiente anóxico explica a menor frequência da espécie em áreas permanentemente alagadas. Nessa situação, o estabelecimento de novas plantas está limitado à possibilidade das sementes atingirem sítios com cota ligeiramente superior ao da lâmina de água por ocasião da dispersão natural, onde possam encontrar condições de oxigenação suficiente para o desencadeamento do processo de germinação e crescimento das plântulas. Esses sítios são caracterizados por restos de árvores que tombam naturalmente e possibilitam a acumulação de sedimentos e detritos vegetais (Calzavara, 1972). No seu habitat natural e em áreas de cultivo, é encontrado tanto em solos eutróficos como em solos distróficos. No primeiro caso, ocupa predominantemente Gleissolos em áreas de várzea. Esses solos são argilo-siltosos pouco profundos e com boa fertilidade natural, em decorrência da deposição de detritos contidos em suspensão nas águas das marés. No segundo caso, é encontrado em Latossolos Amarelos textura média, que se caracterizam por serem profundos, friáveis, porosos e pela elevada acidez e baixa fertilidade natural (Calzavara, 1972).

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 PERÍODO DE COLHEITA

 

BAIXA ESTAÇÃO

 

 

REFERÊNCIAS:

CAVALCANTE, P. B. Frutas Comestíveis da Amazônia, 6a Ed, Edições Cejup – Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém, 1996.

FUENTES, V. M. et al. “Photodynamic therapy mediated by açai oil (Euterpe oleracea Martius) in nano emulsion: A potential treatment for melanoma”, Journal of Photochemistry & Photobiology, B: Biology 166, pp. 301–310, 2017.

GARBOSSA, W. A, C. et al. “Euterpe oleracea, Matricaria chamomilla, and Camellia sinensis as promising ingredients for development of skin care formulations”, Journal of Photochemistry & Photobiology, B: Biology 166, pp. 301–310, 2017.

ROGEZ, H. Açaí: Preparo, Composição e Melhoramento da Composição, Belém, EDUFPA, p. 313, 2000.

SHANLEY, P. et. al. Frutíferas e plantas úteis na vida amazônica, CIFOR, IMAZON, Editora Supercores, Belém, p. 300, 2005.

O ácido palmitoléico inibe a osteoclastogênese induzida por RANKL e a reabsorção óssea pela supressão das vias de sinalização de NF-κB e MAPKn Bernadette van Heerden , 1, † Abe Kasonga , 1, † Marlena C. Kruger , 2, 3 e Magdalena Coetzee 1, 3, *

Eng. Agr., MSc., Pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental. Caixa Postal 48, CEP 66017-970, Belém – PA. E-mails: spadilha@cpatu.embrapa.br; urano@cpatu.embrapa.br; walnice@cpatu.embrapa.br