MANTEIGA DE MURUMURU (Astrocaryum murumuru)

USOS E BENEFÍCIOS:

São nas sementes do murumuru que encontramos o ouro amazônico; uma manteiga multifuncional altamente eficaz, nutritiva e emoliente, extraída por meio de prensagem a frio. A manteiga de murumuru tem a grande vantagem de possuir baixa acidez, e devido à grande quantidade de ácidos graxos saturados, como o láurico (C12:0) e o mirístico (C14:0), essa manteiga tem uma consistência única. A qualidade dessa gordura não é muito diferente da gordura da amêndoa do tucumã, do palmiste e do coco, mas ela tem uma consistência maior, devido ao fato de que o seu ponto de fusão (32,5 oC) é superior ao do palmiste africano (25 oC) e do coco (22,7 oC). Esta sua qualidade a faz ser procurada para ser misturada às gorduras vegetais que se fundem à temperatura mais baixa. Ela também pode fazer parte da fabricação do chocolate como um substituto da manteiga de cacau. A gordura de murumuru é branca, possui pouquíssimo odor e nenhum sabor especial. Na temperatura média europeia ela se encontra sólida, dura e quebradiça, porém, no Pará, conserva-se com uma consistência um pouco superior à da vaselina.

Assim como o ácido oleico, o ácido láurico facilita a penetração de ativos na pele e no couro cabeludo. Além disso, ele é precursor de um consagrado antimicrobiano, a monolaurina. Isso explica o fato da manteiga de murumuru ser muito resistente à rancidez. Juntamente com as suas propriedades antimicrobianas, a manteiga de murumuru é reconhecidamente uma fonte de vitaminas A e E, além de cálcio, fósforo e ferro.

Devido a sua alta concentração de ácido láurico, a manteiga de murumuru pode substituir o silicone mineral perfeitamente em formulações para produtos de pele e batons, além da sua ação condicionante nos cabelos. Ela promove hidratação intensa, sem obstruir os poros da pele e ainda garante toda a nutrição necessária para manter os cabelos e a pele saudáveis. Nos cabelos, a manteiga de murumuru trata os fios ressecados e quebradiços de maneira duradoura, pois tem o poder de formar uma barreira de proteção contra a ação de agentes externos. Isto é devido à sua proporção balanceada entre os ácidos graxos láurico e mirístico, resultando em cabelos macios, sem volume e sem frizz.

Na pele, a manteiga de murumuru atua na manutenção da barreira lipídica, uma vez que é rapidamente absorvida. Ela pode inclusive ser diretamente aplicada na pele, seja ela ressecada, seca ou mista, promovendo hidratação, nutrição e proteção. Desse modo, ela protege a pele contra fatores externos oxidativos formando um filme protetor tal qual o silicone, mas com a vantagem de não prejudicar a troca de lipídios ou obstruir os poros da pele.  Fica fácil então entender a grande procura por produtos derivados da manteiga de murumuru: ela é versátil; atua desde a raiz dos fios até o alinhamento, sendo muito utilizada em alisamentos naturais. Ela atua na pele, reavivando a umidade natural e protegendo contra as agressões do dia a dia. Além disso, a manteiga está presente nas maquiagens, conferindo mais consistência, nutrição, brilho e maciez à pele.

ESPECIFICAÇÕES:

NOME DO PRODUTO: Manteiga de Murumuru

CÓDIGO DO PRODUTO: G017 – 5KG / G018 – 10KG

INCI: Astrocaryum murumuru seed butter

MÉTODO DE MANUFATURA: prensado a frio

ORIGEM: Floresta Amazônica do Brasil

NÚMERO CAS # 394236-97-6

NÚMERO EINCS: não aplicável a este produto.

CÓDIGO DE TARIFAS ADUANEIRAS: 1515 90 40 00

TAMANHOS DA EMBALAGEM: 5kg e 10kg

ARMAZENAGEM: manter a embalagem bem fechada, armazenada em local fresco, ventilado e protegido da luz.

PRAZO DE VALIDADE: em condições normais de armazenamento, 24 meses após a fabricação.

MANTEIGA DE MURUMURU – ESPECIFICAÇÕES
CARACTERÍSTICAS UNID VALORES
Aparência (25 oC) Sólida
Cor branca / creme
Odor característico
Índice de acidez mg NaOH/g < 15,0
Índice de peróxido meq O2/kg < 10,0
Índice de iodo g I2/kg 10 – 20
Índice de saponificação mgKOH/g 230 – 240
Índice insaponificável % < 2
Densidade  25 oC g/ml 0,9325
Índice de refração   501,4
Ponto de fusão oC 30 – 35

ÁCIDOS GRAXOS

Ácido caprílico (C6:0) % Peso < 2,0
Ácido cáprico (C8:0) % Peso < 1,0
Ácido láurico (C12:0) % Peso 40,0 – 50,0
Ácido mirístico (C14:0) % Peso 28,0 – 33,0
Ácido palmítico (C16:0) % Peso 5,0 – 10,0
Ácido palmitoleico (C16:1) % Peso < 2,0
Ácido esteárico (C18:0) % Peso 2,0 – 5,0
Ácido oleico (C18:1 – ômega 9) % Peso 5,0 – 10,0
Ácido linoleico (C18:2 – ômega 6) % Peso 1,0 – 5,0
Saturados % 90
Insaturados % 10

DESCRIÇÃO BOTÂNICA:

Astrocaryum murumuru Mart. é uma palmeira de altura média, tronco pouco desenvolvido, folhas compridas e direitas e frutos que formam cachos pouco volumosos. Os seus frutos são constituídos de uma polpa de cor amarela, e servem  de alimento para diversos animais. Os bovinos costumam chupar a polpa externa do fruto inteiro e rejeitar, depois, o caroço. A polpa, se ainda presente, apodrece rapidamente depois do fruto ter caído ao chão. O caroço, de formato cônico, é constituído de uma casca lenhosa de cor cinza que apresenta pouca resistência ao ser quebrada, e é provido de uma amêndoa muito semelhante a ele. Estas palmeiras crescem de preferência em solos de várzea, alagados pelas marés, especialmente nas ilhas e terrenos baixos nas margens dos rios, em todo o estuário do Amazonas e afluentes, chegando até a fronteira com a Bolívia e o Peru. O tronco, as folhas e o cacho são recobertos de espinhos de cor preta, duros, resistentes, que no tronco chegam a ter um comprimento de mais de 20 cm, o que torna difícil a colheita das sementes. Quando o fruto está maduro, o cacho cai inteiro ao chão e é, então, procurado pelos animais roedores e pelos porcos como alimento. A sua colheita começa em janeiro e prolonga-se até junho, e quase todos os municípios do Amazonas e do Pará a produzem. Todavia, encontram-se sementes em maior abundância nos municípios de Chaves, Mazagão, Macapá e Afuá. A amêndoa contém de 40 a 42% de óleo.

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
                       
       PERÍODO DE COLHEITA    BAIXA ESTAÇÃO    

REFERÊNCIAS:

PESCE, CELESTINO. Oleaginosas da Amazônia. 2 ed., rev. e atual. – Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi, Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural, 2009.

MORAIS, LR: Banco de Dados Sobre Espécies Oleaginosas da Amazônia, não publicado.